Concurso Nacional Unificado 2: primeiras turmas de ATJD e ATDS concluem formação na Enap
Servidores das carreiras de Justiça e Defesa e de Desenvolvimento Socioeconômico passaram pelo programa de formação do MGI e atuarão em diferentes órgãos da administração pública federal
As primeiras turmas das carreiras de Analista Técnico de
Justiça e Defesa (ATJD) e Analista Técnico de Desenvolvimento Socioeconômico
(ATDS), criadas no âmbito do Concurso Nacional Unificado (CNU 2), concluíram,
em 28 de outubro, o Programa de Formação de Carreiras (PROFCAR). A capacitação
foi realizada pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap), em parceria
com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).
Com a conclusão do programa, os novos servidores passam a
atuar em diferentes órgãos da administração pública federal. As duas carreiras
integram o grupo de carreiras transversais supervisionadas pelo MGI e foram
estruturadas para permitir a atuação de profissionais especializados em
diferentes instituições federais.
As cerimônias de encerramento ocorreram no auditório da
Enap, em Brasília. A primeira turma a concluir a formação foi a de ATJD,
durante a manhã. No período da tarde, foi realizada a solenidade de
encerramento da turma de ATDS.
O programa teve início em 18 de agosto e reuniu os primeiros
integrantes dessas carreiras, que ingressaram no serviço público federal por
meio da segunda edição do Concurso Nacional Unificado.
Como funcionam as novas carreiras transversais do CNU 2
As carreiras de ATJD e ATDS fazem parte de uma estrutura de
pessoal que permite a atuação dos servidores em diferentes órgãos federais,
conforme as atribuições profissionais e as necessidades da administração
pública.
A supervisão dessas carreiras está a cargo do MGI, por meio
da Diretoria de Carreiras Transversais (DICAT). Segundo informações
apresentadas durante as cerimônias, a diretoria supervisiona atualmente sete
carreiras, que reúnem quase 11 mil servidores.
A proposta das carreiras transversais é possibilitar o
aproveitamento de conhecimentos técnicos em diferentes instituições,
favorecendo a cooperação entre órgãos e a atuação em distintas etapas das
políticas públicas.
Durante o encerramento das turmas, a diretora de Carreiras
Transversais do MGI, Clarissa Malinverni, explicou que a estrutura permite
compartilhar conhecimentos entre instituições. “A ideia das carreiras
transversais é justamente que a gente tenha órgãos que possam se beneficiar de
servidores que têm conhecimentos diversificados a partir das suas atuações”,
afirmou.
A formação dos novos analistas também incluiu atividades
voltadas à compreensão do funcionamento do Estado, ao desenvolvimento de
competências técnicas e à criação de vínculos profissionais entre os
participantes.
De acordo com as informações apresentadas pela Enap e pelo
MGI, o acompanhamento dos servidores deverá continuar ao longo da trajetória
profissional, com participação das instituições responsáveis pela gestão das
carreiras e dos órgãos em que eles exercerão suas funções.
Analista Técnico de Justiça e Defesa: atuação prevista em
oito ministérios
A primeira turma de Analista Técnico de Justiça e Defesa
concluiu o PROFCAR na manhã de 28 de outubro. A cerimônia abordou a atuação dos
profissionais nas políticas públicas relacionadas à justiça, à segurança
pública e à defesa nacional.
A criação da carreira está relacionada à necessidade de
ampliar a disponibilidade de profissionais especializados nessas áreas, com
capacidade de contribuir para diferentes etapas das políticas públicas, desde a
formulação até a implementação, o monitoramento e a avaliação das ações
governamentais.
Segundo Clarissa Malinverni, a atuação dos novos ATJD está
prevista em oito ministérios. A diretora também destacou que o desenvolvimento
profissional dos servidores será acompanhado pelo MGI e pelos órgãos de
exercício.
Outro aspecto mencionado durante a solenidade foi a
possibilidade de movimentação dos servidores entre instituições após o estágio
probatório. A medida foi apresentada como uma característica da carreira
transversal, que permite a circulação de profissionais e o compartilhamento de
experiências entre órgãos federais.
Na cerimônia, a presidente da Enap, Betânia Lemos, abordou
os desafios relacionados à segurança pública e à criminalidade no país. Ela
também ressaltou a importância de os novos analistas compreenderem o
funcionamento do Estado, as relações entre os Poderes e as desigualdades
regionais brasileiras.
A formação profissional, nesse contexto, foi apresentada
como uma etapa preparatória para o exercício das atribuições dos servidores em
diferentes instituições da administração federal.
Experiência profissional dos novos analistas de Justiça e
Defesa
Entre os integrantes da primeira turma está Poliana
Ferreira, nova Analista Técnica de Justiça e Defesa, que já trabalhou como
coordenadora na Secretaria Nacional de Segurança Pública.
A servidora relacionou seu ingresso na carreira à
possibilidade de contribuir para o aprimoramento da atuação estatal em uma área
na qual já possui experiência profissional.
“Eu considero que essa carreira vem num momento estratégico
em vários sentidos, tanto no âmbito da defesa quanto no âmbito da segurança
pública”, afirmou.
Poliana também comentou a diversidade de perfis dos
participantes do programa de formação. Segundo ela, a turma reuniu
profissionais com diferentes níveis de experiência, desde pessoas que estão no
início da carreira até participantes com trajetória profissional consolidada,
oriundos de várias regiões do país.
Para a analista, o encerramento do curso representa o fim de
uma etapa de preparação e o início de novos desafios no serviço público
federal.
Analista Técnico de Desenvolvimento Socioeconômico:
integração entre políticas públicas
A turma de Analista Técnico de Desenvolvimento
Socioeconômico concluiu a formação durante a tarde de 28 de outubro. A
cerimônia abordou a relação entre desenvolvimento econômico e social e a
necessidade de integrar políticas públicas voltadas a diferentes territórios
brasileiros.
A carreira foi concebida para ampliar a capacidade de
atuação dos órgãos federais em iniciativas de desenvolvimento socioeconômico.
Entre os objetivos associados a essa atuação estão a articulação de políticas
públicas, a ampliação de oportunidades para a população e o enfrentamento das
desigualdades.
Durante a solenidade, Betânia Lemos destacou a relação entre
crescimento econômico, inclusão social e desenvolvimento regional. “A gente
sabe que não há desenvolvimento econômico sem uma população que produz, sem uma
população que inova”, afirmou.
A presidente da Enap também abordou a responsabilidade dos
novos servidores na formulação de políticas públicas capazes de considerar as
necessidades da população e as diferenças entre as regiões do país.
Clarissa Malinverni, por sua vez, ressaltou que a carreira
busca ampliar a atuação integrada dos órgãos federais na promoção do
desenvolvimento socioeconômico. A diretora também mencionou o acompanhamento
profissional dos novos integrantes pela estrutura responsável pela supervisão
das carreiras transversais.
Formação de ATDS incluiu desenvolvimento de competências
e colaboração
O assessor especial do MGI, Norberto Martins, apresentou
dois objetivos centrais do programa de formação dos novos ATDS: proporcionar
contato com questões contemporâneas do desenvolvimento socioeconômico a partir
de diferentes perspectivas e estimular a criação de vínculos entre os
integrantes da carreira.
A formação de uma rede de colaboração entre os servidores
foi apontada como um elemento para o enfrentamento de desafios profissionais e
para o aprimoramento das políticas públicas.
Ao abordar a função dos novos analistas, Martins afirmou:
“Ser servidor é colocar a população brasileira na frente, antes de nós mesmos”.
O assessor também destacou a responsabilidade dos
profissionais na formulação e na execução de políticas voltadas ao
desenvolvimento soberano, inclusivo e sustentável do país.
As atividades do PROFCAR, realizadas pela Enap em parceria
com o MGI, buscaram aproximar os participantes de diferentes questões
relacionadas à administração pública e ao desenvolvimento nacional, além de
favorecer a troca de experiências entre os servidores.
Mensagem sobre desenvolvimento nacional marcou
encerramento da turma de ATDS
A cerimônia de conclusão da primeira turma de ATDS também
contou com uma mensagem de Rosa Freire d’Aguiar, fundadora do Centro
Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento.
Ao recordar a trajetória do economista Celso Furtado, de
quem foi esposa, Rosa estabeleceu uma relação entre a formação dos novos
analistas e a experiência do intelectual brasileiro, que iniciou sua carreira
no serviço público na década de 1940, com atuação voltada ao planejamento e ao
desenvolvimento nacional.
Em sua mensagem aos formandos, ela citou uma reflexão de
Furtado sobre a responsabilidade das novas gerações na construção do futuro do
país:
“Seremos um país essencial, chamado a contribuir na
configuração da humanidade de amanhã, ou teremos perdido a oportunidade de
sê-lo, porque a geração presente não esteve à altura”.
Na sequência, Rosa manifestou confiança nos novos
servidores: “É óbvio, nem precisa responder, que a resposta dele, com absoluta
certeza, eu posso dizer para vocês, é de que a geração de vocês vai estar à
altura”.
A referência à trajetória de Celso Furtado foi utilizada
para relacionar o ingresso dos novos servidores no serviço público à atuação
estatal no planejamento e na formulação de políticas de desenvolvimento.
Trajetória de integrante da primeira turma de ATDS
Um dos integrantes da primeira turma é Allaercyo Rodolfo da
Silva Vieira, natural de Caxias, no Maranhão. Formado pela Universidade Federal
do Piauí (UFPI), ele possui mais de dez anos de experiência profissional no
Banco do Brasil.
O servidor afirmou que a nova carreira representa uma
oportunidade de contribuir diretamente para o desenvolvimento do país. “A
expectativa é muito positiva, apesar dos desafios que a gente vai enfrentar”,
declarou.
Ele também destacou a satisfação de participar da
estruturação de uma carreira recém-criada, cujos primeiros integrantes
ingressaram no serviço público federal por meio do CNU 2.
Durante a cerimônia, foi ressaltada ainda a ampliação das
oportunidades de ingresso no serviço público federal por meio do concurso
unificado, especialmente para candidatos de diferentes regiões brasileiras.
Ao comentar o processo seletivo, Alécio avaliou: “Foi um
concurso muito democrático. Essa é a palavra, foi democrático. Deu oportunidade
para pessoas do Brasil todo”.
O que acontece após a formação dos novos servidores
Com o encerramento do PROFCAR, os integrantes das primeiras
turmas de ATJD e ATDS passam à etapa de exercício profissional nos órgãos
federais. A partir dessa fase, deverão aplicar os conhecimentos desenvolvidos
durante a formação nas atividades relacionadas às respectivas carreiras.
O programa foi organizado para oferecer preparação técnica,
ampliar a compreensão sobre os desafios da administração pública e estimular a
colaboração entre os novos servidores.
Durante as cerimônias, representantes da Enap e do MGI
também abordaram a importância da formação continuada. As instituições
reafirmaram o compromisso de acompanhar o desenvolvimento profissional dos
analistas, com oportunidades de capacitação e aperfeiçoamento ao longo de suas
trajetórias no serviço público.
A atuação dos profissionais deverá abranger diferentes
etapas das políticas públicas, de acordo com as atribuições das carreiras e as
necessidades dos órgãos de exercício. No caso dos ATJD, o foco está nas áreas
de justiça, segurança pública e defesa nacional. Para os ATDS, a atuação está
relacionada à integração de políticas de desenvolvimento econômico e social.
A conclusão das duas turmas marca o início da atuação dos
primeiros servidores dessas carreiras transversais criadas no âmbito do CNU 2.
A experiência profissional dos novos analistas e o acompanhamento institucional
deverão compor as próximas etapas de desenvolvimento dessas estruturas na
administração pública federal.
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