Governo sinaliza continuidade do CNU e prevê discussão de nova edição para 2028, diz Esther Dweck
Em entrevista ao portal JOTA, ministra da Gestão afirma que modelo unificado de concursos deve ser mantido em eventual novo mandato e destaca reorganização da máquina pública, reestruturação de carreiras e planejamento da força de trabalho
A possibilidade de realização de uma terceira edição do CNU
(Concurso Nacional Unificado) voltou a ganhar destaque após declarações da
ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck.
Em entrevista ao portal JOTA, a ministra afirmou que o
governo pretende manter a política de concursos unificados em um eventual novo
mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, indicando que a discussão
poderá ocorrer em 2027 para viabilizar uma nova edição em 2028.
Questionada sobre a continuidade do modelo, Dweck respondeu
de forma direta: “Sim. Aí seria discutido em 2027, para inserir no Orçamento de
2028”.
A declaração reforça a intenção do governo de dar sequência
ao formato que centraliza a seleção de servidores para diferentes órgãos
federais em um único processo seletivo, modelo que se tornou uma das principais
iniciativas da atual política de gestão de pessoas da administração pública
federal.
CNU integra estratégia de reorganização da máquina
pública
Ao fazer um balanço da atuação do Ministério da Gestão e da
Inovação em Serviços Públicos nos últimos anos, Esther Dweck afirmou que uma
das principais entregas da pasta foi a reorganização da estrutura
administrativa federal.
Segundo a ministra, o governo promoveu mudanças na gestão de
pessoas, reformulou processos de contratação, reestruturou carreiras, ampliou
mecanismos de avaliação de desempenho e passou a adotar uma visão mais
estratégica sobre as necessidades futuras do serviço público.
Dweck afirmou que a administração federal deixou de
trabalhar apenas com a reposição de cargos vagos e passou a utilizar estudos de
dimensionamento da força de trabalho para identificar demandas reais dos
órgãos.
“Passamos a pensar o dimensionamento da força de trabalho,
criamos o Concurso Nacional Unificado, reestruturamos carreiras — um processo
que exigiu negociações longas — e avançamos na avaliação de desempenho dos
servidores”, declarou.
A ministra também destacou que o governo busca construir um
serviço público alinhado às necessidades futuras do país, considerando fatores
como diversidade, áreas estratégicas e projeções sobre aposentadorias.
Governo ampliou mudanças nas carreiras federais
Durante a entrevista, Esther Dweck ressaltou que uma das
principais mudanças implementadas foi a reestruturação das carreiras do
funcionalismo federal.
De acordo com a ministra, houve ampliação do número de
níveis de progressão funcional, aumentando o tempo necessário para que
servidores alcancem o topo da carreira.
“A gente conseguiu passar de 36% das carreiras com 20 níveis
para mais de 80%”, afirmou.
Segundo ela, a medida foi construída por meio de negociações
com diferentes categorias e faz parte de um processo mais amplo de modernização
da gestão de pessoas no setor público federal.
Carreiras transversais ganham espaço na administração
pública
Outro ponto destacado por Dweck foi a ampliação das chamadas
carreiras transversais, modelo que permite a movimentação de servidores entre
diferentes órgãos conforme as necessidades da administração pública.
A ministra explicou que a estratégia busca aumentar a
eficiência da gestão de pessoal e evitar situações em que profissionais
altamente especializados sejam utilizados em atividades administrativas que
poderiam ser desempenhadas por servidores de carreiras gerais.
“Foi de duas carreiras transversais para oito”, afirmou.
Como exemplo, ela citou a carreira de analista
técnico-administrativo, para a qual foi realizado concurso com mil vagas.
Segundo a ministra, o governo deverá convocar aproximadamente 1.500 candidatos.
Dweck explicou que esse modelo permite alocar profissionais
em órgãos que apresentem carência de pessoal administrativo, além de ampliar as
possibilidades de mobilidade e desenvolvimento profissional dos servidores ao
longo da carreira.
Segunda edição do CNU reuniu mais de 3,6 mil vagas
Até o momento, o governo federal já realizou duas edições do
Concurso Nacional Unificado.
A edição mais recente ofertou 3.652 vagas distribuídas entre
32 órgãos federais, com provas aplicadas em dois dias.
Segundo a ministra, o modelo contribuiu para tornar mais
integrado o planejamento das contratações e permitiu que o governo adotasse uma
visão mais ampla sobre as necessidades da administração pública federal.
A proposta do CNU é concentrar em uma única estrutura
seletiva vagas de diferentes órgãos e entidades, simplificando a participação
dos candidatos e ampliando a eficiência dos processos de recrutamento.
Governo aponta recuperação gradual da força de trabalho
federal
Ao comentar o cenário encontrado no início da atual gestão,
Esther Dweck afirmou que houve significativa redução do quadro de servidores
federais entre 2016 e 2022.
Segundo levantamento citado pela ministra, excluindo
universidades e institutos federais, o governo federal perdeu aproximadamente
70 mil servidores líquidos no período, o que representou mais de 10% da força
de trabalho de um universo de cerca de 600 mil pessoas.
Ela destacou que, durante a atual gestão, aproximadamente 20
mil servidores foram contratados, mas cerca de 17 mil deixaram o serviço
público, resultando em um ganho líquido de aproximadamente 3 mil profissionais.
A ministra também mencionou situações críticas em alguns
órgãos federais. Como exemplo, citou a Imprensa Nacional, que estava há cerca
de 40 anos sem realizar concurso público.
Nova edição do CNU dependerá das discussões orçamentárias
Embora tenha sinalizado a intenção de manter a política do
Concurso Nacional Unificado, Esther Dweck destacou que uma eventual terceira
edição dependerá das discussões orçamentárias previstas para 2027.
A partir dessas definições, o governo poderá avaliar a
viabilidade financeira de uma nova seleção unificada para provimento de cargos
federais em 2028.
Para os candidatos que acompanham os concursos do Executivo
Federal, a declaração da ministra representa um indicativo de que o modelo do
CNU segue inserido no planejamento estratégico da gestão de pessoas do governo
federal e poderá continuar sendo utilizado nos próximos anos.
